Suicídio

Quem nunca pensou em suicídio pelo menos uma vez na vida quando tudo parecia dar errado? Terminar com tudo? Acabar com a dor?

Eu tentei me matar pelo menos algumas vezes. Em todas elas não tive sucesso. Tanto é que estou aqui agora falando com você. A primeira vez eu era muito novo. Fui pela forma convencional mesmo: gilete e remédio. Era recém descoberto gay pelos meus pais. Foi uma brigalhada danada. Tentaram me trancar em casa para eu não ver o meu ex primeiro namorado. Quis morrer na época. As outras vezes já são mais recentes. Eu já estava com depressão. Hoje identifico os sintomas de prima porque combato ela diariamente através de exercícios e oração. Antes não tinha forças. Aliviava os maus pensamentos e a angustia com álcool e drogas. Não suportava assistir a minha falta de sorte nos meus relacionamentos e trabalho. Odiava a minha vida sempre igual, desestabilizada. Não fazia nada significante para mudar a situação. Me colocar como vítima era mais cômodo. Fazer a grande mudança não estava nos meus planos. Não sabia nem por onde começar. Sob efeito de pó fiz muita merda. Transei sem proteção e coloquei a minha vida em risco várias vezes. Não me importava comigo. Era a forma encontrada para dar fim a minha vida aos poucos. Muitas vezes parei em hospitais na madrugada com princípio de overdose. Por três vezes passei por situações críticas. Em todas elas prometia parar mas não conseguia. A tristeza interior não me deixava. Faz pelo menos 1 ano, 4 meses e 4 dias que eu decidi enfrentar a vida de cara limpa. Não é fácil matar um leão por dia. Batalhar um lugar ao sol não é tarefa para principiante. Exige muita dedicação e disciplina. Comportamentos que eu só vim aprender a ter depois de velho, com 38 pra 39 anos. Este ano faço 40. Ser HIV + indetectável e sóbrio me deu a oportunidade de gostar mais da minha vida, batalhar por um futuro melhor. Hoje valorizo cada hora do meu dia. Não desperdiço mais o meu tempo com bobagens. Acordo e durmo cuidando do meu corpo como se ele fosse o projeto mais valioso que eu tenho. Dá trabalho. Não é fácil acordar, correr, trabalhar, malhar, comer e ainda ter tempo para namorar. Eu que tenho um relacionamento a distância fica mais complicado ainda. Praticamente missão impossível. Quem me acompanha aqui sabe as dificuldades que enfrentei recentemente. Minha rotina agora é focar nos projetos futuros. Os pensamentos ruins ainda me visitam eventualmente. A única diferença de antes pra agora é só uma: não tenho tempo para lamúrias. É mãos à obra. Ainda passarei por muitos desafios. Sei que não serão poucos. A minha maior vitória é poder fazer escolhas que julgo certas de cara limpa, sem arrependimentos. É isso que importa. Para transformar tudo a nossa volta basta darmos o primeiro passo. Foi isso que eu fiz e continuo fazendo diariamente, um dia de cada vez.

Essa foto foi tirada no último sábado, 13 de janeiro. Eu do lado do cara que escolhi para namorar. Ainda estou me adaptando ao relacionamento aberto. Não sei se quero isso para sempre. No momento é o que tenho. Não quero mexer nisso agora. Tenho muita coisa pra resolver. É ponto e basta.

4 respostas para ‘Suicídio

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