Vale a pena.

Ter a minha própria companhia não era algo que me deixava feliz. Não era bem sucedido, não tinha o corpo sarado que eu queria e muito menos aproveitava a vida como eu gostaria. Preferia lamentar a má sorte em vez de ir à luta. Essa foi a principal razão para eu não mudar o meu panorama na época. A cocaína, o álcool e o sexo tiveram papel fundamental nessa fase. Anestesiado e sentindo orgasmos na maioria do tempo acabava não dando importância à minha infelicidade. Vivia em festa, prazer imediato. As cobranças pessoais só voltavam com força total nas ressacas. Nesses momentos eu tinha vontade de morrer mas bastava me recuperar da rebordosa para começar tudo de novo.

Quando eu optei em parar com tudo tive que aprender a conviver com o “Sandro derrotado”. Era boring. Ter a minha companhia diária careta com todos os problemas presentes na minha frente foi enlouquecedor. Quase pirei. Minha única saída foi partir para o tudo ou nada e recomeçar a vida. Até hoje continuo praticando diariamente este mesmo ato para cumprir o meu objetivo principal: ser feliz.

Reaprender a gostar de mim foi um grande aprendizado para eu enfrentar todos os meus fantasmas de cara limpa. Hoje eu malho, trabalho na minha área e aos poucos estou finalizando os problemas do passado: contas atrasadas. A moradia já resolvi. Hoje divido um apartamento com um amigo na Urca, bairro na zona sul do Rio. Durmo de quatro a cinco horas por dia. O restante do tempo passo trabalhando e cuidando de mim. Dedicação total ao meu futuro.

Se é ruim não viver mais rodeado de “amigos de bar”, sem vida social?

Eu acho ótimo. Se eu tivesse que responder essa pergunta há alguns anos com certeza responderia diferente. Minha carência era tanta que eu precisava andar em bando. Achava que isso era significado para felicidade. Hoje tenho os amigos em número menor. Os encontros com eles passaram a ser raros, preciosos. Ficou bem melhor assim. Não existe desgaste. O carinho fica intacto.

Ter um namorado a distância me ajudou a entender um monte de coisas que eu não sabia. A principal delas é: não precisamos estar juntos diariamente para sentir amor. Cada reencontro é sempre especial, tem a mesma sensação do primeiro encontro.

Sei que não é fácil mudar a rotina quando tudo parece dar errado. Eu fiz isso há cerca de um ano e quase quatro meses e te digo: Siga em frente. Vale a pena.

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