Falta pouco…

A última vez que eu me vi tendo que recomeçar do zero tive vontade de morrer. Não é fácil perder casa, trabalho, amor não correspondido e tantas outras coisas que a gente dá valor. Pior fica quando estamos na adicção ativa. Transformava tudo num bicho de sete cabeças. Me fazia de vítima. Minha reação nas derrotas anteriores foi me entregar ao vício. Álcool, cocaína e sexo aliviavam as minhas dores emocionais. Quando se está na merda companheiro ou companheira, essa combinação é perfeita para dar um pouco de prazer onde tudo parece dar errado. Estar sóbrio hoje em dia me faz ter escolhas conscientes. Estou muito mais forte para olhar o momento adverso e ter sabedoria para entender que só com paciência e calma eu conseguirei resolver os problemas um de cada vez sem pressa e por ordem de urgência. 

Quem acompanhou a minha viagem à Europa nesses últimos dois meses e meio não imaginou que eu chegaria ao Rio sem casa, sem namorado e com a vida virada do avesso. Pois, é. Nem eu! “Back to real life, bitch”. É exatamente assim que eu me encontro e me vi no dia 2 de setembro deste mês quando pousei feliz da vida no Rio. No domingo, dia 3, ainda tive que parecer feliz para receber os meus familiares num almoço de comemoração por conta da minha volta. Minha vontade era ter chorado o dia inteiro. Optei por ser forte. Não tinha tempo para lamentações. Era hora de reagir. Pela primeira vez me vi tendo que dar a volta por cima sem o mesmo mimimi do passado. O plano B? Pedi abrigo aos meus pais enquanto o apartamento que eu morava está em obras e com todas as minhas coisas debaixo de terra. Meu amigo não me avisou da surpresa. O C? Ter um namorado é a coisa mais importante do mundo pra mim neste momento? Não! Mas faltava o plano A. Juntei todos dos os meus cacos e fiz o que deveria ser feito. Me concentrei no trabalho, nos meus projetos e iniciei a reviravolta. Meu objetivo principal hoje é poder voltar a morar sozinho. É óbvio eu que venho tentando fazer isso há meses mas opto por morar com amigos porque o Rio de Janeiro se tornou a cidade mais cara do mundo pra se viver. Não abrirei mão de morar próximo da praia e da natureza. No subúrbio infelizmente não temos isso. Aqui a trilha de morro é pra comprar drogas. Correr nas ruas quilômetros a fio escutando a sua playlist favorita no ipod ou iphone só se for louco e quiser ter o pescoço cortado. A vida aqui é dura. Segurança zero. Pipocam cracudos em ruas e avenidas. Nem vou falar da saúde ou do transporte público indecentes porque não vale a pena. Não existe. Pagamos taxas altíssimas e os políticos cagam para a gente. Como viver, morar e comer no Hell de Janeiro? Uma pessoa pra ter o mínimo de dignidade nessa cidade precisa ganhar pelo menos R$ 5 mil por mês. E mesmo assim com esse valor não dá pra você morar sozinho e ainda ter que pagar plano de saúde, iptu, telefone, cartão de crédito, viagem e lazer. O que resta é respirar fundo, fazer daimoku e relaxar. É assim que eu me concentro dentro do meu silêncio todas as manhãs para pedir dias melhores. Para completar a confusão que estou metido tem a madame do BMW de US$ 120 mil e moradora do condomínio Península da Barra que está dizendo por aí que vai me processar. Até agora não pagou o que deve. Se acha certa. Faz papel de ofendida por ter sido chamada de caloteira. Como se fosse alguma mentira. 

Para concluir a minha história porque tenho muito trabalho a fazer, eu gostaria de deixar aqui um recado para você que está passando por alguma adversidade na vida e prefere morrer: VAI PASSAR! Tudo na vida é como a tempestade. Dá e passa. Pode fazer o estrago que for mas se a gente olhar pra frente, e levantar do chão tem solução. Só não tem pra morte. Por isso reuna todos os seus cacos, levante a cabeça e veja quais são os reais pesos das coisas para você querer desistir de lutar tão cedo.

Sobre o namoro estou reavaliando. Não somos perfeitos. Não posso ser tão rígido só porque eu passei a ser assim comigo mesmo para corrigir todos os meus defeitos de caráter do passado. Nossa cultura e idade são de fato bem diferente mas eu gosto à beça dele. Estamos renegociando o relacionamento. Torço que dê certo.

E não se esqueça: Dia 11 de setembro eu te espero aqui.

2 respostas para ‘Falta pouco…

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