“Sou positivo. E agora?”

Muitos fazem essa pergunta quando recebem o diagnóstico HIV positivo. Eu também fiz. Você não é exceção. O mais importante após saber o resultado é não se desesperar e sim fazer o que deve ser feito: Procurar a clínica da família próxima à sua casa e conhecer a sua ou o seu infectologista.

Pacientes soropositivos podem escolher o local onde preferem fazer o seu tratamento no caso de não se sentirem a vontade com a unidade próxima a sua localidade.

É lenda que a vida fica mais complicada após a descoberta. É vida normal. Com alguns cuidados e sem exageros. A única prescrição médica que a gente recebe quando iniciamos a medição é não fazer uso de entorpecentes e álcool demais. Exercício é a melhor pedida. Combate a depressão e o baixo astral.

Dica importante: Não quebre a cabeça tentando adivinhar quem infectou você. Esqueça. Não importa. O fundamental agora é olhar para frente. 

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HSH + DST = CARNAVAL 2018

“Hoje começa o carnaval e o sexo está liberado até quarta-feira de cinzas” – Há controvérsias.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 830 mil pessoas vivem com HIV/aids e aids no país. São 694 mil pessoas diagnosticadas, e 548 mil pessoas me tratamento. Estima-se que 136 mil pessoas ainda não sabem que estão com HIV e que 196 mil sabem que tem o HIV e não estão em tratamento.

De acordo com a pesquisa, os jovens são os que menos usam preservativos, razão pela qual são foco da campanha. Dados da Pesquisa de Conhecimento, Atitudes e Práticas apontam queda no uso regular de camisinhas entre a faixa etária de 15 a 24 anos, tanto com parceiros eventuais – de 58,4% em 2004 para 56,6%, em 2013 – como com parceiros fixos – queda de 38,8% em 2004 para 34,2% em 2013.

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R.I.P

Resolvi encerrar a divulgação da minha vida privada nas redes sociais. Hoje deletei as contas do facebook e do instagram sem me despedir. Simplesmente desapareci. Não deixei rastro. Meu tempo livre será aproveitado de outra maneira. Pode apostar!

Por que fazer tratamento com PrEP?

Conversei com a Dra Cydia Souza semana passada e conversamos um pouco sobre a PrEP.

Você sabia que no Brasil, uma pessoa é infectada a cada 15 minutos e no mundo a cada 17 segundos?

A taxa de detecção da doença no país tem se estabilizado nos últimos dez anos, com média de 20,7 casos por 100 mil habitantes, de acordo com o Ministério da Saúde.

O que é a PrEP? Tire 12 dúvidas sobre o tratamento que previne o HIV.

Novo método anti-HIV substitui pílula diária por tratamento semanal

Suicídio

Quem nunca pensou em suicídio pelo menos uma vez na vida quando tudo parecia dar errado? Terminar com tudo? Acabar com a dor?

Eu tentei me matar pelo menos algumas vezes. Em todas elas não tive sucesso. Tanto é que estou aqui agora falando com você. A primeira vez eu era muito novo. Fui pela forma convencional mesmo: gilete e remédio. Era recém descoberto gay pelos meus pais. Foi uma brigalhada danada. Tentaram me trancar em casa para eu não ver o meu ex primeiro namorado. Quis morrer na época. As outras vezes já são mais recentes. Eu já estava com depressão. Hoje identifico os sintomas de prima porque combato ela diariamente através de exercícios e oração. Antes não tinha forças. Aliviava os maus pensamentos e a angustia com álcool e drogas. Não suportava assistir a minha falta de sorte nos meus relacionamentos e trabalho. Odiava a minha vida sempre igual, desestabilizada. Não fazia nada significante para mudar a situação. Me colocar como vítima era mais cômodo. Fazer a grande mudança não estava nos meus planos. Não sabia nem por onde começar. Sob efeito de pó fiz muita merda. Transei sem proteção e coloquei a minha vida em risco várias vezes. Não me importava comigo. Era a forma encontrada para dar fim a minha vida aos poucos. Muitas vezes parei em hospitais na madrugada com princípio de overdose. Por três vezes passei por situações críticas. Em todas elas prometia parar mas não conseguia. A tristeza interior não me deixava. Faz pelo menos 1 ano, 4 meses e 4 dias que eu decidi enfrentar a vida de cara limpa. Não é fácil matar um leão por dia. Batalhar um lugar ao sol não é tarefa para principiante. Exige muita dedicação e disciplina. Comportamentos que eu só vim aprender a ter depois de velho, com 38 pra 39 anos. Este ano faço 40. Ser HIV + indetectável e sóbrio me deu a oportunidade de gostar mais da minha vida, batalhar por um futuro melhor. Hoje valorizo cada hora do meu dia. Não desperdiço mais o meu tempo com bobagens. Acordo e durmo cuidando do meu corpo como se ele fosse o projeto mais valioso que eu tenho. Dá trabalho. Não é fácil acordar, correr, trabalhar, malhar, comer e ainda ter tempo para namorar. Eu que tenho um relacionamento a distância fica mais complicado ainda. Praticamente missão impossível. Quem me acompanha aqui sabe as dificuldades que enfrentei recentemente. Minha rotina agora é focar nos projetos futuros. Os pensamentos ruins ainda me visitam eventualmente. A única diferença de antes pra agora é só uma: não tenho tempo para lamúrias. É mãos à obra. Ainda passarei por muitos desafios. Sei que não serão poucos. A minha maior vitória é poder fazer escolhas que julgo certas de cara limpa, sem arrependimentos. É isso que importa. Para transformar tudo a nossa volta basta darmos o primeiro passo. Foi isso que eu fiz e continuo fazendo diariamente, um dia de cada vez.

Essa foto foi tirada no último sábado, 13 de janeiro. Eu do lado do cara que escolhi para namorar. Ainda estou me adaptando ao relacionamento aberto. Não sei se quero isso para sempre. No momento é o que tenho. Não quero mexer nisso agora. Tenho muita coisa pra resolver. É ponto e basta.

Poliamor relâmpago

Usei a caneta esferográfica para rabiscar os dedos da minha mão e ilustrar este post.

Faz pelo menos uns dois anos que eu me aventurei no poliamor. Nunca tinha vivido isso antes. Tive contato com essa forma de amar através de um amigo. O namoro dele na época era visto como um ato ofensivo, imoral. Eu nunca critiquei. Achava o máximo. Tinha curiosidade de entender como eram os três na intimidade. Transar eventualmente a 3, 4 ou mais eu já conhecia. O convívio a três que me fascinava. Até que um dia aconteceu.

Contra monogamia, jovens buscam relacionamentos não convencionais

Conheci os dois rapazes numa boate da zona norte do Rio. Depois de ficar com um deles e terminar a noite com o outro, em momentos diferentes, por ironia do destino eles se conheciam e eram amigos. João (nome fictício), o segundo da noite, já tinha me dado OK para dormirmos juntos num motel próximo. Ao informarmos ao Pedro (nome fictício) a nossa decisão ele lembrou sobre a combinação que existia entre eles: irem embora juntos. Naquele momento vi minha oportunidade de fazer sexo ir por água a baixo. Para não perder a chance da noite convidei ele também. Os dois me olharam com os olhos esbugalhados, se olharam, concordaram fazendo gestos com as cabeças e fomos os três embora da pista de dança. Ao entrarmos no quarto o clima ficou tímido entre eles. Lembro de ter pedido uma garrafa de vinho para descontrair. Deu certo. O sexo foi ótimo naquela noite. Tive que dar conta dos dois. Eles eram muito mais novos do que eu, energia dobrada. Ficamos juntos por mais dois meses. O que fez o relacionamento não seguir a diate foi o fato deles perceberem que a amizade de anos poderia acabar. Nunca tinham ficado juntos antes. Na cama eles nem se tocavam. Beijavam-se porquê eu insistia. No nosso namoro tínhamos um combinado: não fazer nada separado. Criamos até um grupo no whatsapp para facilitar a comunicação do trisal. Conversa fora do grupo também estava proibida. Assunto entre a gente deveria ser feita na presença dos três, fosse ela “ao vivo” ou “online”. Por incrível que pareça cada um tinha uma particularidade. Me completavam de formas diferentes. Esse deve ter sido o motivo que me fez seguir a diante com o namoro. Algumas semanas depois, após muita insistência minha, a gente deu um tempo porque o sexo acabou esfriando. Transar a três já não deixava mais os dois a vontade. Tentei solucionar o problema separando a gente. Não deu certo. O que atrapalhou tudo foi o ciúme. Ambos gostavam de mim e não queriam ter que escolher. Encontrar separado era regra “não fazer”, combinação inicial e não podia ser quebrada. Para ninguém sair magoado da relação optamos em desfazer o namoro e desmanchar o grupo. Hoje eles são meus amigos no facebook. O tempo passou e acabamos perdendo o contato. Nunca mais nos vimos. Foi uma das melhores experiências que eu tive. Repetiria. Não com eles.

 

 

Vale a pena.

Ter a minha própria companhia não era algo que me deixava feliz. Não era bem sucedido, não tinha o corpo sarado que eu queria e muito menos aproveitava a vida como eu gostaria. Preferia lamentar a má sorte em vez de ir à luta. Essa foi a principal razão para eu não mudar o meu panorama na época. A cocaína, o álcool e o sexo tiveram papel fundamental nessa fase. Anestesiado e sentindo orgasmos na maioria do tempo acabava não dando importância à minha infelicidade. Vivia em festa, prazer imediato. As cobranças pessoais só voltavam com força total nas ressacas. Nesses momentos eu tinha vontade de morrer mas bastava me recuperar da rebordosa para começar tudo de novo.

Quando eu optei em parar com tudo tive que aprender a conviver com o “Sandro derrotado”. Era boring. Ter a minha companhia diária careta com todos os problemas presentes na minha frente foi enlouquecedor. Quase pirei. Minha única saída foi partir para o tudo ou nada e recomeçar a vida. Até hoje continuo praticando diariamente este mesmo ato para cumprir o meu objetivo principal: ser feliz.

Reaprender a gostar de mim foi um grande aprendizado para eu enfrentar todos os meus fantasmas de cara limpa. Hoje eu malho, trabalho na minha área e aos poucos estou finalizando os problemas do passado: contas atrasadas. A moradia já resolvi. Hoje divido um apartamento com um amigo na Urca, bairro na zona sul do Rio. Durmo de quatro a cinco horas por dia. O restante do tempo passo trabalhando e cuidando de mim. Dedicação total ao meu futuro.

Se é ruim não viver mais rodeado de “amigos de bar”, sem vida social?

Eu acho ótimo. Se eu tivesse que responder essa pergunta há alguns anos com certeza responderia diferente. Minha carência era tanta que eu precisava andar em bando. Achava que isso era significado para felicidade. Hoje tenho os amigos em número menor. Os encontros com eles passaram a ser raros, preciosos. Ficou bem melhor assim. Não existe desgaste. O carinho fica intacto.

Ter um namorado a distância me ajudou a entender um monte de coisas que eu não sabia. A principal delas é: não precisamos estar juntos diariamente para sentir amor. Cada reencontro é sempre especial, tem a mesma sensação do primeiro encontro.

Sei que não é fácil mudar a rotina quando tudo parece dar errado. Eu fiz isso há cerca de um ano e quase quatro meses e te digo: Siga em frente. Vale a pena.